ICSI: o que é e como é realizada? - Clínica Reproduce
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ICSI: o que é e como é realizada?

Por Dr. Gustavo M. André

A fiv (fertilização in vitro) é o método mais complexo entre as técnicas de reprodução assistida, geralmente indicada para os casais com sérios problemas de infertilidade ou quando não há explicação para a dificuldade de concepção. O procedimento conta ainda com etapas complementares, como o diagnóstico genético, a criopreservação e a ICSI.

São quatro as etapas principais da FIV: a estimulação ovariana, que tem como objetivo produzir muitos óvulos em um único ciclo menstrual, a coleta de gametas femininos e masculinos, a fecundação em laboratório e a transferência embrionária.

É na etapa da fecundação que a ICSI acontece, quando os espermatozoides são cuidadosamente selecionados para fertilizar o óvulo e formar um embrião. Esse processo pode acontecer somente na fiv, porque essa é a única técnica de reprodução assistida em que a fecundação ocorre em laboratório.

Este texto esclarece o que é ICSI, suas principais indicações e como é realizada na FIV. Se você sente dificuldades em gerar um filho, especialmente devido a fatores masculinos, acompanhe os próximos tópicos e descubra mais sobre essa técnica que pode recuperar a capacidade reprodutiva do casal.

O que é ICSI?

A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é um método de fecundação que ocorre de maneira complementar a processos de fertilização in vitro. O procedimento consiste na seleção de células reprodutivas masculinas de qualidade e a inserção das mesmas em óvulos aspirados na etapa anteriores da FIV, após estimulação ovariana.

O objetivo de utilizar a ICSI na fecundação em laboratório é aumentar as chances de sucesso do procedimento, porque a seleção prévia permite que os espermatozoides com baixa mobilidade ou má morfologia não sejam utilizados no processo, o que não é possível no método clássico, que será explicado mais adiante.

Quando a ICSI é indicada?

O procedimento é indicado especialmente nos casos de infertilidade conjugal causados por fator masculino grave, quando como o homem não tem espermatozoides no ejaculado (azoospermia) ou estes estão em baixa quantidade (oligozoospermia) ou qualidade e até mesmo quando o homem fez uma vasectomia.

Além dessas indicações, a ICSI pode ser útil nos casos em que o paciente sente dificuldades para ejacular em condições normais — devido a problemas de diabetes e neurológicos, por exemplo —, ou após fracassos de ciclos de FIV ou inseminação artificial anteriores.

A ICSI ainda é, naturalmente, um método interessante no caso de poucos óvulos obtidos na estimulação folicular, quando é preciso realizar um teste genético nos embriões ou quando houve criopreservação de gametas, pois permite otimizar as chances de fertilização.

Por motivos como esse, o método é, hoje, utilizado como padrão em todos os processos de fertilização in vitro.

Como a ICSI é realizada?

Assim como nos demais processos de FIV, observa-se o potencial de cada óvulo para gerar um embrião e prepara-se os espermatozoides de melhor qualidade. A diferença é que, no método tradicional, a fecundação acontece de maneira semelhante à natural: são colocados os gametas feminino e masculinos em uma placa de Petri, em meio de cultivo, e aguarda-se até que a fecundação ocorra naturalmente.

Na ICSI, por outro lado, seleciona-se apenas um espermatozoide de qualidade para cada óvulo, o que garante mais chances de sucesso na formação de um bom embrião. A técnica ainda permite que os gametas masculinos sejam coletados não só por masturbação, mas também por aspiração diretamente do testículo, o que é essencial para os casos em que o homem não consegue ejacular ou seu sêmen não contém gametas.

Após aspiração dos gametas femininos e masculinos, a fecundação por ICSI acontece desta maneira: um profissional especializado utiliza uma agulha para inserir um espermatozoide cuidadosamente selecionado no óvulo, com auxílio de um microscópio.

Após esse processo, aguarda-se a formação do embrião até que este esteja preparado para a transferência para o útero da futura gestante, período que pode durar de 3 a 6 dias. Se necessário, durante este cultivo pode-se avaliar alterações genéticas nas células para identificar as chances de abortos espontâneos ou síndromes no bebê.

A ICSI é útil também para os casos em que gametas foram criopreservados, como explicado anteriormente, o que pode garantir a pacientes em tratamento de câncer terem filhos biológicos no futuro. Uma pesquisa realizada nesse sentido identificou que o método tem capacidade de gerar uma taxa de fecundação de 80% e de gestação de sucesso em 57% dos casos, o que comprova a eficácia do método.

A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é um método de fecundação que ocorre no contexto da fertilização in vitro indicado, principalmente, nos casos de infertilidade conjugal causados por sérios fatores masculinos, como quando o homem não tem gametas no sêmen ou quando estes são de baixa qualidade. A técnica permite selecionar os melhores espermatozoides e os inserir em óvulos também escolhidos, o que otimiza a utilização das células e promove taxas de sucesso interessantes e, por isso, é hoje o método padrão na FIV.

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