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Infertilidade masculina

A infertilidade masculina afeta pessoas no mundo todo e representa a metade dos casos de infertilidade conjugal. No entanto, atualmente, existem diversos tipos de tratamento para a infertilidade.

Desde a década de 1990, quando surgiu a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), a infertilidade masculina por fatores graves passou a ter tratamento.

Doenças e outras condições podem interferir no funcionamento do sistema reprodutor masculino e levar à infertilidade das seguintes maneiras: se não houver espermatozoides no sêmen ejaculado, condição conhecida como azoospermia; se houver baixa produção ou alterações nos gametas (motilidade, morfologia ou danos no DNA espermático); ou se houver obstruções que impeçam o transporte e a ejaculação.

A vasectomia é uma técnica contraceptiva definitiva realizada por homens que não desejam ter mais filhos. Ela provoca azoospermia obstrutiva. Os canais deferentes, por onde passam os espermatozoides antes da ejaculação, são cortados, interrompendo o fluxo dos gametas.

Este artigo explica a infertilidade masculina. Destaca as causas que provocam o problema, os sintomas que indicam a necessidade de procurar auxílio médico, os métodos diagnósticos e os tratamentos indicados.

Conheça as principais causas de infertilidade masculina

Para que ocorra a produção de espermatozoides, os níveis hormonais devem estar normais. O processo pelo qual os gametas masculinos são formados é conhecido como espermatogênese e ocorre nos túbulos seminíferos, localizados nos testículos. É estimulado pelo hormônio folículo-estimulante (FSH) e pelo hormônio luteinizante (LH), mas também depende da ação da testosterona produzida pelo próprio testículo.

O desequilíbrio nos níveis desses hormônios provoca a redução ou até a interrupção da produção dos espermatozoides pelos testículos. Esse desequilíbrio pode ser causado por qualquer fator que interfira nas estruturas do eixo hipotálamo-hipófise-gônada. Os testículos são órgãos sexuais masculinos armazenados na bolsa testicular. Além da gametogênese, respondem ainda pela produção de testosterona. Os espermatozoides formados são armazenados no epidídimo, ducto localizado sobre cada testículo, onde amadurecem e adquirem motilidade, sua capacidade de se deslocar.

Durante o trajeto, até serem ejaculados, recebem líquidos que formam o sêmen, produzidos pelas glândulas seminais, pela próstata e pelas glândulas bulbouretrais.

Entre as condições que podem provocar alterações nos níveis hormonais, afetando a quantidade ou qualidade dos gametas, estão as inflamações que acometem o sistema reprodutor masculino, como orquite – dos testículos –, epididimite – do epidídimo –, prostatite – da próstata – e uretrite – da uretra – assim como determinadas doenças, como diabetes, caxumba, varicocele, lesões e tumores testiculares.

Os processos inflamatórios também alteram a função espermática, a maneira como os espermatozoides interagem com o ambiente feminino, assim como tendem a causar cicatrizes que bloqueiam ou dificultam o transporte até as tubas uterinas para que ocorra a fecundação dos óvulos.

Geralmente são causados por infecções bacterianas, incluindo infecções sexualmente transmissíveis (IST), como gonorreia e clamídia. Os bloqueios também podem ser provocados por doenças genéticas, lesões cirúrgicas ou traumas na região testicular.

Distúrbios genéticos, da mesma forma, causam alterações no número e estrutura dos cromossomos.

As relacionadas com a quantidade de cromossomos são caracterizadas pela presença ou ausência de um ou mais cromossomos. Conhecidas como aneuploidias, estão associadas a falhas de implantação e a abortamentos espontâneos recorrentes.

Também podem causar condições como a síndrome de Down, em que o cromossomo 21 tem três cópias (trissomia 21), frequentemente registrada em filhos de pais mais velhos.

Já as estruturais tendem a alterar o processo de gametogênese, influenciando na produção e qualidade dos gametas masculinos.

Problemas na função sexual, entre eles a disfunção erétil, dificuldades para ejacular ou ejaculação em pequenos volumes, ejaculação precoce ou retrógada (quando o sêmen retorna para a bexiga em vez de ser ejaculado) estão entre os fatores de infertilidade masculina, uma vez que impedem que a fecundação ocorra.

Outros fatores também representam risco, incluindo a superexposição ao calor, a toxina ou à radiação, hábitos de vida, como alcoolismo, tabagismo e consumo de entorpecentes, obesidade, uso de anabolizantes, estresse e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.

Saiba identificar os sintomas que indicam infertilidade masculina

Assintomática na maioria dos casos, a infertilidade masculina geralmente é descoberta após tentativas malsucedidas de engravidar a parceira. Porém, alguns sintomas podem contribuir para indicar o problema.

Eles se manifestam de acordo com as causas que provocaram a infertilidade e podem variar em intensidade em diferentes pacientes. Os principais sintomas relacionados à infertilidade masculina são:

Sintomas relacionados a processos inflamatórios

Sintomas relacionados ao desequilíbrio hormonal

Sintomas relacionados a problemas sexuais

É importante procurar auxílio médico se houver a manifestação de qualquer sintoma. O diagnóstico e tratamento tardios, além de infertilidade, podem resultar em outras complicações para a saúde reprodutiva masculina.

Métodos para diagnosticar a infertilidade masculina

O primeiro exame realizado para avaliar a fertilidade masculina é o espermograma, também conhecido como análise seminal. Ele possibilita a análise de parâmetros importantes dos gametas, como quantidade, morfologia e motilidade, além de características do sêmen, como cor, pH e viscosidade.

Em alguns casos, de acordo com os resultados do espermograma, podem ser indicados testes complementares, com o propósito de avaliar a função espermática, como o de fragmentação do DNA espermático.

A fragmentação do DNA espermático tem sido indicada como um dos fatores de infertilidade masculina. É causada pelo alto nível de danos no DNA dos espermatozoides que o espermograma não consegue detectar.

Testes hormonais são realizados ainda para avaliar os níveis dos hormônios responsáveis pela produção dos gametas masculinos, assim como exames de imagem, entre eles a ultrassonografia testicular e a ressonância magnética (RM), que têm como propósito identificar a presença de tumores ou alterações de tamanho, forma e textura dos órgãos reprodutivos masculinos.

O tratamento mais adequado para cada caso é indicado com base nos diagnósticos.

Conheça os tratamentos indicados para a infertilidade masculina?

Os tratamentos para a infertilidade masculina também são indicados de acordo com as causas. Podem ser farmacológicos, cirúrgicos ou realizados pela fertilização in vitro (FIV) com ICSI.

Para alguns distúrbios hormonais, por exemplo, é indicada a terapia com medicações, que buscam o reequilíbrio dos níveis e, consequentemente, a regularização da produção dos gametas.

Os processos inflamatórios são tratados por antibióticos adequados para cada tipo de bactéria. Em algumas doenças sexualmente transmissíveis, indica-se o tratamento da parceira para evitar nova infecção.

Disfunções sexuais também podem ser tratadas com a utilização de medicamentos específicos para cada tipo.

A abordagem cirúrgica é recomendada em algumas situações de azoospermia obstrutiva para reconstruir os ductos deferentes em pacientes que fizeram vasectomia. Também recomenda-se cirurgia para correção de varicocele, doença caracterizada pela dilatação das veias do cordão espermático que prejudicam a espermatogênese.

Se os tratamentos não forem bem-sucedidos ou a infertilidade for causada por fatores que não são possíveis de serem corrigidos, a FIV com ICSI é a principal indicação.

A FIV, além de possibilitar a seleção dos espermatozoides com melhor motilidade e morfologia pela preparação seminal, técnica complementar ao procedimento, em homens azoospérmicos permite a recuperação de gametas dos epidídimos ou testículos cirurgicamente. As técnicas são PESA (coleta de espermatozoides dos epidídimos) e TESE e Micro-TESE (coleta dos testículos).

Se não houver tratamento que reverta a infertilidade, ainda assim o casal pode recorrer à doação de gametas e conseguir a gravidez pela FIV, que tem as melhores taxas de sucesso no contexto da reprodução assistida.

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