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Idade e fertilidade: como essa relação pode afetar os planos do casal?

É um fato biológico que, com o avanço da idade, a capacidade de engravidar da mulher diminui. Os efeitos da idade feminina na fertilidade são conhecidos há muito tempo, entretanto estudos mais recentes indicam que a do parceiro masculino também provoca riscos na gravidez, embora os homens continuem a produzir espermatozoides durante toda a vida.

Assim, ainda que a boa saúde melhore as chances de engravidar e ter um bebê saudável, ela não substitui os efeitos do envelhecimento na fertilidade feminina e masculina.

Para entender como a idade pode afetar a fertilidade e os planos de ter filhos, continue a leitura deste texto.

Qual a relação da idade com a infertilidade?

A mulher já nasce com uma reserva ovariana, ou seja, uma quantidade de folículos, bolsas que armazenam os óvulos, as células reprodutivas femininas. No nascimento o número é bastante alto, aproximadamente 2 milhões.

No entanto, no princípio da puberdade diminui para cerca de 400 mil e, a cada ciclo menstrual, pelo menos 1000 são perdidos: diversos folículos crescem durante o ciclo menstrual, mas apenas um desenvolve e amadurece, para posteriormente romper e ovular. Os que não desenvolveram são naturalmente descartados.

A reserva ovariana começa a ser comprometida a partir dos 35 anos e, depois disso, as chances de engravidar se tornam progressivamente menores.

A qualidade dos óvulos também é menor, o que pode causar dificuldades para conceber ou mesmo o desenvolvimento de determinados distúrbios nos fetos.

Segundo diferentes estudos, as chances de mulheres com menos de 30 anos engravidarem variam entre 20% e 25% a cada ciclo menstrual. Já as de mulheres acima dessa idade são:

Nos homens, a principal causa do envelhecimento é a redução da qualidade dos espermatozoides. A maioria produz milhões de espermatozoides todos os dias, mas os que possuem mais de 40 anos têm menos espermatozoides saudáveis ​​do que os mais jovens. A quantidade de sêmen (o fluido que abriga os espermatozoides) e a motilidade espermática (capacidade de se mover em direção ao óvulo) também são menores a partir dessa idade. Apesar disso, a idade passará a ser mais cruel com o homem a partir dos 60 anos, enquanto na mulher já se torna evidente após os 35/40 anos.

O risco de aborto espontâneo e anormalidades cromossômicas no feto também aumenta significantemente com o envelhecimento. Anormalidades cromossômicas numéricas, chamadas aneuploidias – quando há mais ou menos cromossomos do que o normal –, podem provocar falhas na implantação do embrião, resultando, consequentemente em abortamento.

Ao mesmo tempo, quando transmitidas para o feto, podem levar ao desenvolvimento de distúrbios como síndrome de Down, caracterizada pela presença adicional do cromossomo 21, que causa atraso no desenvolvimento das funções motoras e cognitivas, comum em filhos de pais mais velhos.

Além disso, problemas de saúde podem surgir com a idade, como hipertensão, diabetes e desequilíbrios hormonais, tornando maior o risco de complicações na gravidez, como uma placentação anormal, que pode resultar em pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial), atraso do crescimento intrauterino ou descolamento da placenta.

Adiar os planos de ter filhos se tornou comum na sociedade contemporânea. No entanto, é importante ficar atento ao relógio biológico, para que o envelhecimento não interfira nos planos do casal de aumentar a família. Mesmo que atualmente diferentes recursos garantam maiores chances de gravidez em idades mais avançadas.

Quais são as possíveis soluções para garantir mais chances de gravidez em idades mais avançadas?

Ainda que a gravidez tardia possa ser mais difícil, é possível obtê-la com o auxílio da fertilização in vitro (FIV), considerada a principal técnica de reprodução assistida.

Por outro lado, a fertilidade também pode ser preservada em antecipação ao declínio natural provocado pela idade. O procedimento é chamado preservação social da fertilidade.

Entenda como ambos os procedimentos funcionam:

Preservação social da fertilidade

Tanto óvulos como espermatozoides podem ser criopreservados quando as pessoas estão em idades mais jovens: os óvulos devem ser congelados idealmente até os 35 anos, idade em que os níveis da reserva ovariana ainda estão altos, assim como a qualidade deles e, os espermatozoides, até os 40 anos.

Preservar a fertilidade se tornou, inclusive, uma tendência mundial desde o avanço dos métodos de congelamento, que permitem a criopreservação por mais tempo com danos praticamente inexpressivos às células e altas taxas de sobrevida.

A mulher é submetida à estimulação ovariana para congelar os óvulos: no procedimento, são administrados medicamentos hormonais com o objetivo de estimular o desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos, obtendo mais óvulos para serem congelados.

Quando os folículos (bolsas que armazenam os óvulos) estão maduros, são coletados por punção folicular e posteriormente selecionados e congelados em laboratório.

Já para os homens o processo é mais fácil: diferentes amostras de sêmen são coletadas e congeladas, uma vez que é no líquido que o espermatozoide fica armazenado.

FIV

Na FIV óvulos e espermatozoides são fecundados em laboratório, por isso é possível selecionar os mais saudáveis para realizar o processo, proporcionando maiores chances de que a gravidez ocorra de forma saudável quando os pais são mais velhos.

Os óvulos são selecionados com o auxílio de um microscópio potente, enquanto os espermatozoides são capacitados por técnicas de preparo seminal que possibilitam a seleção dos que possuem melhor movimento (motilidade) e forma (morfologia) para fecundar o óvulo.

Atualmente a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides) é o método mais utilizado nas clínicas de reprodução assistida do mundo todo. Nele, o espermatozoide tem novamente a saúde confirmada individualmente e, posteriormente, é injetado diretamente no citoplasma do óvulo. Dessa forma, as chances de fecundação são bem maiores.

Os embriões formados podem ser cultivados por até seis dias em laboratório, fase de desenvolvimento embrionário em que as células já estão formadas e divididas por função.

Nessa etapa, as células também podem ser analisadas pelo teste genético pré-implantacional (PGT), técnica complementar ao tratamento, proporcionando a transferência para o útero apenas dos geneticamente selecionados.

O PGT evita, portanto, a transmissão de distúrbios genéticos e anormalidades cromossômicas, assim como minimiza a ocorrência de falhas na implantação e abortamento.

O tratamento também é utilizado para obter a gravidez após o descongelamento dos óvulos. Os índices de sucesso são bastante expressivos com os gametas (óvulos e espermatozoides) frescos ou congelados: em média 50%.

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